Aprovação de projeto sobre minerais críticos gera polêmica entre especialistas
minerais-criticosPL sobre minerais críticos aprovado na Câmara divide opiniões. Inesc questiona se proposta promoverá industrialização nacional efetiva.
RedaçãoEquipe Editorial
09 de maio de 202612:23
O projeto de lei 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), foi aprovado nesta quarta-feira pelos deputados federais. A proposta agora tramita no Senado Federal.
A iniciativa prevê benefícios fiscais e aportes de recursos públicos para exploração de minerais críticos, categoria que inclui terras raras. Empresas mineradoras manifestaram apoio ao texto, ressaltando os estímulos econômicos propostos.
## Instituto contesta estratégia de desenvolvimento
O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) divulgou análise técnica questionando a capacidade do projeto de fomentar a industrialização nacional desses materiais. Segundo o órgão, a proposta pode reforçar o perfil brasileiro de fornecedor de matéria-prima bruta.
O documento do Inesc, publicado após a votação, critica tentativas de vincular o PL atual a processos de reindustrialização. O instituto sustenta que minerais críticos reproduziriam padrões já observados em outros setores, como ferro, cobre e lítio.
A análise aponta que o projeto assume premissa de que forças de mercado promoverão automaticamente o desenvolvimento industrial. Para os analistas, a trajetória histórica da mineração brasileira contraria essa expectativa, mesmo com incentivos governamentais.
## Questionamentos sobre destino de recursos
O Inesc identifica aspectos controversos no texto aprovado, incluindo acesso privilegiado ao Fundo Clima e destinação de verbas públicas para minerais não considerados críticos. A previsão de estímulos financeiros para extração, além da industrialização, também recebeu críticas.
Segundo os questionamentos, essa estratégia comprometeria o objetivo principal de desenvolver indústria nacional de minerais críticos. Qual seria a lógica de estimular apenas extração quando o foco deveria ser agregar valor aos materiais?
A organização argumenta que os recursos deveriam priorizar etapas de beneficiamento e transformação industrial, não atividades de mineração primária.
## Brasil ocupa posição estratégica global
O país detém as segundas maiores reservas mundiais de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas. A China mantém a liderança com 44 milhões de toneladas em reservas confirmadas.
Mesmo possuindo vastos depósitos, o Brasil responde por menos de 1% da produção global desses materiais estratégicos. A localização geográfica brasileira oferece vantagem competitiva na disputa entre China e Estados Unidos pelo controle desses recursos.
Minerais críticos são essenciais para indústria tecnológica, equipamentos militares e processos de transição energética mundial. O domínio chinês sobre cadeias produtivas aumenta interesse internacional em fornecedores alternativos.
## Senado definirá formato definitivo
A tramitação senatorial será crucial para estabelecer a versão final da política nacional de minerais críticos. Senadores poderão revisar mecanismos de incentivo e criar proteções para industrialização doméstica.
O deputado Arnaldo Jardim, relator na Câmara, sustentou que a proposta concilia estímulos ao setor privado com interesses estratégicos nacionais. A comprovação dessa abordagem, entretanto, dependerá de modificações durante análise senatorial.
O sucesso da política de minerais críticos também estará condicionado à implementação efetiva das medidas após aprovação final. A experiência brasileira em outros setores minerais sugere necessidade de acompanhamento rigoroso para evitar repetição de padrões históricos de exportação de commodities sem valor agregado.
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